
Durante a COP30 em Belém, o reverendo Dr. Rodrigo Espiúca vivenciou um cenário no qual fé, justiça e esperança convergiam com uma clareza incomum. A iniciativa Ecuménica e Inter-religiosa Tapiri, promovida pela CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviços) e sediada na Catedral de Santa Maria, tornou-se um símbolo vivo do que a colaboração pode alcançar quando as comunidades escolhem a coragem em vez do silêncio e o diálogo em vez da divisão. Refletindo sobre o seu papel, Rodrigo afirmou: «Tapiri é a porta através da qual o diálogo pode exercer a sua melhor influência — abrindo caminhos para a confiança, a cooperação e a defesa comum da vida».

Ao longo da semana, ele trabalhou ao lado de líderes indígenas, comunidades quilombolas, redes de jovens, parceiros ecuménicos e companheiros anglicanos globais, ajudando a tecer uma narrativa em que a salvaguarda da criação é inseparável da salvaguarda da dignidade. Uma das suas convicções mais profundas moldou o seu envolvimento: os povos indígenas não devem ficar à margem das negociações globais sobre o clima. Como ele explicou, «as vozes indígenas não são opcionais; elas são essenciais para a salvaguarda da criação, porque falam a partir de relações ancestrais com a terra que o mundo precisa urgentemente de honrar».
O abraço aberto da Tapiri ofereceu um dos espaços mais vibrantes de reconhecimento mútuo e cooperação inter-religiosa em todo o panorama da COP30. Também ampliou a visibilidade da Floresta da Comunhão, cujo ethos de cuidado com a criação ressoou fortemente entre os parceiros em toda a Amazônia. Ao conectar o discipulado com a ação ecológica, a iniciativa abriu novas oportunidades de advocacy — fortalecendo alianças, informando conversas sobre políticas e posicionando o envolvimento anglicano como uma ponte entre o testemunho popular e os compromissos climáticos globais.
A experiência de Rodrigo em Belém fez mais do que esclarecer os desafios que temos pela frente — ela ofereceu um vislumbre de um horizonte promissor, onde a coragem coletiva e a parceria sagrada ainda podem mudar o rumo para um mundo mais justo e sustentável.
Por Rev. Dr. Rodrigo Espiúca
