Em 3 de agosto, a Floresta da Comunhão comemora seu quarto aniversário. De manguezais e prados a jardins de oração e pradarias, o que começou na Conferência de Lambeth em 2022, cresceu e se tornou um movimento global extraordinariamente diverso de pessoas anglicanas que cuidam da criação.
Há quatro anos, bispos e bispas se reuniram no jardim do Palácio de Lambeth para plantar uma árvore simbólica. Foi em 3 de agosto de 2022, durante a Conferência de Lambeth, e o plantio marcou o lançamento da Floresta da Comunhão — uma nova iniciativa destinada a ajudar às pessoas anglicanas em todo o mundo a responderem juntas à crise ambiental. A visão era simultaneamente simples e ambiciosa. Em vez de criar um único programa gerido centralmente, a Floresta da Comunhão conectaria, capacitaria e inspiraria as pessoas a proteger e restaurar os ecossistemas ao seu redor, desenvolvendo o trabalho ambiental que já estava em andamento em toda a Comunhão. Seria uma expressão viva da Quinta Marca da Missão: lutar para salvaguardar a integridade da criação, sustentando e renovando a vida da Terra. Quatro anos depois, aquela árvore simbólica transformou-se em algo muito maior.
Uma floresta, muitos ecossistemas
Apesar do nome, a Floresta da Comunhão nunca teve como objetivo abordar apenas florestas — ou mesmo apenas o plantio de árvores. Sua força reside no fato de ser liderada localmente. As comunidades discernem o que significa o cuidado com a criação em seu próprio lugar, respondendo à sua própria ecologia, cultura e circunstâncias. O resultado é uma iniciativa de notável diversidade geográfica e ecológica: florestas e manguezais, zonas úmidas e margens de rios, pastagens e pradarias, jardins urbanos e ecossistemas costeiros. O site da Floresta da Comunhão a descreve como uma “resposta prática, espiritual e simbólica à crise ambiental“, na qual as atividades são deliberadamente determinadas localmente para que sejam geográfica e ambientalmente adequadas Floresta da Comunhão
O novo A a Z da Floresta da Comunhão oferece um vislumbre do que isso significa na prática, viajando da Austrália ao Zimbábue e contando histórias de restauração, proteção, oração, defesa de causas e esperança.
Nas Filipinas, indivíduos têm trabalhado ecumenicamente para restaurar ecossistemas costeiros vitais, incluindo um plantio massivo de manguezais em Visayas em 2025. Na República Democrática do Congo, o Bispo William Bahemuka Mugeni optou por proteger a floresta natural e restaurar a terra em vez de desmatá-la para o cultivo de cacau, criando habitat para pássaros, insetos e outros animais selvagens. Na Inglaterra, 100 acres às margens do Rio Wye estão sendo restaurados em Bartonsham Meadows. E ao longo do cinturão de pradarias dos Estados Unidos, a restauração de pradarias que começou na Diocese de Kansas se espalhou para outras dioceses.
Há manguezais sendo restaurados em Moçambique e no Sri Lanka; árvores sendo cultivadas para resiliência em Papua-Nova Guiné; árvores nativas conectando comunidades no Canadá e em Uganda; e florestas sendo protegidas e restauradas em toda a África. Juntas, essas ações enraizadas localmente estão transformando a Floresta a Comunhão em uma das iniciativas ambientais mais amplas geograficamente e mais diversas ecologicamente do mundo.
Cuidando da criação – com mãos, corações e orações
Contudo, talvez uma das coisas mais marcantes a emergir nos últimos quatro anos seja a forma como a Floresta da Comunhão ajudou pessoas a conectarem o cuidado prático com a biodiversidade à vida espiritual.
Árvores e ecossistemas tornaram-se lugares de oração e de encontro com Deus. Eles foram integrados às cerimônias de confirmação e outros ritos, ao culto, à reflexão teológica e ao testemunho público.
Em Gippsland, na Austrália, comunidades estão plantando “árvores de oração” como sinais de fé, esperança e amor, criando uma floresta dispersa por toda a diocese. As pessoas podem deixar orações escritas nas árvores, levando a oração para além das paredes da igreja.
No Bangladesh, clérigos, jovens e comunidades leigas estão sendo incentivados por meio de sermões, encontros de avivamento e plantio de árvores a compreender o cuidado com a criação como parte de seu chamado espiritual. Os(as) candidatos(as) à confirmação são convidados(as) a plantar e cuidar de árvores.
E em Palmas, no Brasil, a conexão entre espiritualidade e biodiversidade mudou o rumo de um projeto de construção de uma igreja. Uma paróquia havia planejado desmatar um terreno arborizado para construir um novo templo. Inspirada pela Floresta da Comunhão, a comunidade decidiu preservar as árvores e transformar o terreno em um jardim de oração — criando um local onde as pessoas podem encontrar a Deus por meio do mundo natural.
Mesmo no coração de Londres, a oração literalmente floresceu. Após uma exposição da Floresta da Comunhão na Abadia de Westminster, os papéis com orações dos visitantes — impressos em papel com sementes de flores silvestres — foram plantados no exterior. Meses depois, o gramado floresceu com flores silvestres e uma orquídea nativa, dormente por anos, ressurgiu.
Essas histórias capturam algo fundamental sobre a Floresta da Comunhão: a biodiversidade não é simplesmente uma questão ambiental a ser tratada, mas parte da criação com a qual os cristãos são chamados a se relacionar.
Como afirma o Bispo Maurício Andrade, Bispo de Brasília:
“A Floresta da Comunhão pode ser a iniciativa mais inclusiva e acessível dentro da Comunhão Anglicana, pois abrange todas as escalas e formas de ação ambiental — pessoal ou institucional — permitindo que indivíduos e comunidades descubram sua vocação única no cuidado da criação de Deus.”
Da ação local ao testemunho global
Ao longo de seus primeiros quatro anos, a Floresta da Comunhão também ajudou a conectar a ação local com a defesa de mudanças ambientais mais amplas. Vozes anglicanas levaram a experiência de comunidades que plantam, protegem e restauram a criação para espaços ambientais internacionais, incluindo a Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica. Essa ação prática dá credibilidade à Igreja quando ela convoca governos e outros atores a agir.
Como diz Nicholas Pande, Facilitador Global da Floresta da Comunhão:
“A Floresta da Comunhão dá credibilidade à atuação da Comunhão Anglicana em espaços como a Convenção da ONU sobre Biodiversidade. Isso mostra que não estamos apenas dizendo aos outros o que fazer — nós mesmos estamos plantando, restaurando e protegendo a criação.”
Essa combinação — ação prática, engajamento espiritual e defesa de causas — faz parte da visão desde o início. A Floresta da Comunhão não prescreve um único modelo nem mede o sucesso apenas contando árvores. Em vez disso, convida os anglicanos a olhar atentamente para os lugares onde vivem, perguntar o que precisa ser protegido ou restaurado, orar e aprender e, em seguida, agir com os outros.
De A a Z – e ainda crescendo
Quatro anos após aquele primeiro plantio simbólico no Palácio de Lambeth, talvez a melhor maneira de entender a Floresta da Comunhão seja por meio de suas histórias. O A a Z da Floresta da Comunhão reúne muitas delas: histórias de pessoas protegendo florestas existentes em vez de derrubá las; restaurando manguezais e prados; cultivando alimentos; criando habitats; caminhando e orando por paisagens ameaçadas; marcando crismas, aniversários e outros momentos da vida com o plantio de árvores; trabalhando ao lado de comunidades indígenas; e defendendo a justiça ambiental. Consideradas em conjunto, elas revelam uma floresta que ninguém poderia ter projetado de forma centralizada — porque ela está crescendo a partir das paisagens, culturas, fé e imaginação de comunidades em toda a Comunhão Anglicana. E há muito espaço para novos crescimentos. Portanto, enquanto a Floresta da Comunhão celebra seu quarto aniversário, explore o A a Z, inspire-se com o que os anglicanos ao redor do mundo já estão fazendo – e pergunte-se qual poderia ser a sua própria expressão da Floresta da Comunhão.
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